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Voguel
Voguel
Kyus
Kyus
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Amabe
Amabe
Wusek
Wusek
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“Sobre Seus Olhos” surge a partir de uma pesquisa focada na produção tridimensional que explora a presença do humano e a sua relação com a natureza, cargas simbólicas unidas a uma estranha composição híbrida, direcionam o olhar à códigos míticos. Seres fantásticos passam a inverter os papéis dos saberes, evocam em si a sensação de consciência humana e convidam, dessa forma, a acessar um universo de fantasias e fábulas, onde podemos nos identificar e realizar novas formas de ser. 

Os seres se tornam um estímulo à habilidade humana de colocar se no lugar do outro. Eles se tornam protagonistas de histórias e recordam que convivemos com diversas outras criaturas. Perceber os saberes dos animais e as nossas semelhanças como criaturas orgânicas e planetárias, valorizam as vidas que constituem um ecossistema composto de conheci mentos para além do homo sapiens.
As esculturas propõem uma inversão das posições de poder, de lugar no mundo e de relacionamento entre os seres, sugerindo uma quebra de padrões estabelecidos pelo homem e pela sociedade, conduzindo à reflexões sobre o modo de como estabelecemos nossas relações entre pessoas, animais e a nossa natureza interior
O que seria ser um humano? O poder da crítica nos possibilita reconhecer e construir uma consciência integrada do nosso lugar de ação e dos nossos limites no mundo Atos inconsequentes praticados por humanos, como a violência gratuita, a brutalidade e a
desordem, não são de todo equivalentes a atitudes animalescas, sendo que as atitudes desumanas não sugerem uma animalidade e sim a falta de humanidade O que seria essa falta? Seria a falta dos saberes e da razão? Ou mesmo a falta de consciência e sensibilidade dos nossos atos? Como seres humanos podemos nos aproximar do que o outro sente, deseja ou pensa, o altruísmo nos permite sofrer ou desfrutar de um acontecimento alheio. O exercício de empatia e imaginação para v iver além de si, viver o outro, as suas ações, a sua
expressão, os seus movimentos É nos instintos, na propensão às paixões e na capacidade sensitiva que
encontramos algumas de nossas raízes comuns Somos experiência de nós mesmos.

Ao imergir no mundo fantástico dos seres, corpos inanimados emanam sons, pulsam e vibram, podem se expressar através de palavras ou por cantos, percorrem lugares obscuros ou imensamente amplos, vivem à espreita, a sós, ou em calorosos bandos
Imersos em seus ofícios, dançam, voam, pensam e contemplam o que criamos para cada um deles.

É na potência do imaginário que reside a fantasia transformadora, ela dissipa a diferença entre os seres vivos e os seres ficcionais, o que é sonhado e construído na ficção reflete e transforma a realidade. Os sentidos se transformam nos sonhos, nas metáforas, nas alegorias e sensações. Dentro da imensidão do universo ficcional, encontra-se a liberdade.

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Ancião
Pássaro-homem
Lagarta
Paineiro
Pássaro
Peixe
Pombas
Anfíbio
Besouro
Detalhe do Ser Montanha
Seres na Mostra

A série Feche os olhos para me ver foi apresentada em 2017, na Casa Musgo, como exposição resultante da pesquisa desenvolvida pela artista durante sua formação em Artes Visuais. O projeto nasce do interesse por criaturas que parecem pertencer simultaneamente a diferentes mundos. Entre formas humanas, animais e elementos fantásticos, as esculturas constroem uma espécie de território habitado por seres que não possuem uma origem definida. São figuras que podem ser reconhecidas em partes, mas que, quando reunidas, escapam às classificações e passam a existir segundo outras regras.

O título propõe uma contradição. Para ver essas criaturas, talvez seja necessário abandonar por um instante aquilo que se apresenta diante dos olhos. Fechar os olhos significa permitir que outras imagens apareçam, vindas da memória, da fantasia, das histórias ou de tudo aquilo que aprendemos a reconhecer sem necessariamente compreender. As esculturas são construídas nesse espaço de passagem, entre aquilo que sabemos nomear e aquilo que ainda não possui uma forma determinada.

A exposição reúne seres que carregam diferentes possibilidades de existência. Alguns apresentam características reconhecíveis de animais, outros se aproximam de figuras humanas, enquanto determinadas formas parecem pertencer somente ao universo da própria artista. Essa mistura não procura produzir uma nova espécie, mas abrir possibilidades para pensar o que acontece quando características de diferentes seres são reunidas em uma mesma figura. A incorporação de asas, patas, garras, olhos ou outras estruturas pode ser entendida como uma maneira de adquirir capacidades, como se cada transformação oferecesse uma nova possibilidade de perceber e experimentar o mundo.

Há também uma dimensão de identificação nessas figuras. Apesar de sua aparência fantástica, elas carregam comportamentos e sentimentos que reconhecemos. Podem parecer frágeis, curiosas, vigilantes, solitárias ou acolhedoras. O estranho se torna familiar justamente porque essas criaturas permitem projetar nelas experiências humanas. Ao mesmo tempo, sua presença desloca essa identificação, lembrando que aquilo que reconhecemos em nós também pode existir em outras formas de vida.

A exposição não procura estabelecer uma narrativa única para seus personagens. Cada criatura parece carregar uma história que permanece parcialmente desconhecida. Elas podem ser observadas como pequenos mitos particulares, personagens de uma história ainda não escrita ou vestígios de um lugar que não sabemos localizar. A imaginação funciona como aquilo que permite completar essas lacunas, criando relações entre as figuras e produzindo novas possibilidades de leitura.

Nesse sentido, “Feche os olhos para me ver” encontra na fantasia uma forma de aproximação com o mundo. Inventar seres é também experimentar outras perspectivas, deslocar o lugar ocupado pelo humano e reconhecer que nossa maneira de existir não é a única possível. As criaturas tornam-se, assim, companheiras de uma experiência que não pretende explicar o desconhecido, mas permanecer diante dele. É nesse espaço entre olhar e imaginar que elas encontram sua existência.
 

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